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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Pós-temporal: Zona Costeira necessita de intervenções urgentes que obtenham resultados a longo prazo

Mäyjo, 14.05.15

Quercus – Assoc. Nac. de Conservação da Natureza (10-01-2014)

O recente temporal veio colocar à vista de todos os erros e as omissões das políticas públicas que, ao longo de décadas, contribuíram para que cerca de 40% do litoral esteja muito ameaçado pela erosão*, colocando em risco pessoas e bens, uma situação que obrigará os contribuintes a novos esforços financeiros que poderiam ser evitados.

É hoje consensual que a subida do nível médio do mar e a modificação no regime de agitação marítima, bem como o aumento de frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos como tempestades, serão das consequências mais significativas das alterações climáticas sobre a zona costeira. Os impactes refletir-se-ão também no balanço sedimentar e na intensidade da erosão, causando inundações  ou mesmo a destruição de áreas urbanas litorais. Só com a definição de uma nova política pública, que não se limite a soluções paliativas destinadas a agradar às populações locais e aos agentes económicos será possível dar uma resposta adequada aos problemas.

Para aumentar a resiliência costeira e mitigar os efeitos sobre o litoral é necessário que haja localmente disponibilidade de sedimentos e espaço para que os processos costeiros ocorram naturalmente. O problema reside no facto de ser insuficiente o aporte de sedimentos trazidos pelos rios (redução essa provocada por atividades como a construção de barragens, a extração de inertes ou as dragagens, atividades estas muitas vezes indevidamente licenciadas) e de ao longo do tempo se ter urbanizado a zona litoral, nomeadamente zonas dunares e sensíveis com construções desordenadas, muitas delas ilegais, que tornam todas estas áreas mais suscetíveis à erosão. As respostas tradicionais dos poderes públicos às situações mais delicadas tem sido a alimentação artificial de praias e dunas ou a instalação de esporões e quebra-mares, soluções com efeitos de curto prazo (2 a 5 anos) e com custos elevados a longo prazo (entre 200 a 500 euros anuais por metro quadrado, envolvendo a instalação e a manutenção), as quais não têm sido avaliadas cuidadosamente.

Neste contexto, a Quercus exige uma rápida concretização da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas, adotada em abril de 2010, que tem de passar à prática após as análises setoriais que foram feitas e divulgadas em outubro de 2013. Mais ainda, e em consonância com as recomendações de diversos projetos europeus, entre os quais o Eurosion, uma nova geração de políticas públicas se concentre no aumento da resiliência costeira, através da aplicação das seguintes medidas:

•    Restabelecimento do balanço sedimentar e do espaço necessário para que os processos costeiros ocorram naturalmente, assente na implementação de planos de gestão dos sedimentos costeiros;
•    Implementação de um programa imediato de deslocalização de pessoas e bens para áreas mais interiores, indemnizando os cidadãos afetados, dando prioridade às áreas mais suscetíveis ao risco;
•    Integração dos custos da erosão costeira e dos riscos no planeamento e em todas decisões de investimento públicas ou privadas, sujeitando-as a uma avaliação de impacte ambiental séria, situação que não tem acontecido em relação à construções de novas barragens, como as da Cascata do Tâmega, Tua, Sabor, Ribeiradio-Ermida (no rio Vouga) ou, mais recentemente, Girabolhos (no rio Mondego);
•    Elaboração de mapas de risco a uma escala adequada e reforço do conhecimento científico sobre os processos costeiros e sobre os efeitos das alterações climáticas sobre o litoral, envolvendo a comunidade científica.

 

 *Cálculos efectuados pela Quercus com base em cartografia do projecto europeu EUROSION, obtida junto da Agência Europeia do Ambiente

PROJECTO PORTUGUÊS PODERÁ REVOLUCIONAR SECTOR DAS PESCAS

Mäyjo, 14.05.15

Projecto português poderá revolucionar sector das pescas (com VÍDEO)

Um projeto português, liderado pelos estaleiros de Vila Real de Santo António, pretende aproveitar o calor dos motores dos navios para gerar electricidade. A ideia chama-se Eco-Cooler, destina-se a embarcações de pesca até 18 metros e permite manter o pescado fresco com o mínimo de riscos para o ambiente.

“Utilizando um sistema de refrigeração por absorção, o calor que é libertado pelos gases de escape dos motores dos navios pode ser um meio de funcionamento para o sistema de refrigeração”, explicou ao Economia Verde Paulo Chaves, engenheiro do INOV.

Essa reutilização dos gases de escape, que eram, até agora, dispensáveis, permite aumentar a eficiência energética do sistema de refrigeração. Uma solução inteligente, criada pela Nautiber e que será implementada, nesta fase, num único navio. A INOV é responsável pelo sistema que controla e monitoriza todo o processo de sistema de refrigeração, para garantir que ele funciona nas melhores condições.

Depois de testado e controlado, o sistema poderá ser adquirido por outras embarcações. Numa primeira fase, ele destina-se ao mercado português. Mais tarde, será exportado.

Depois do projecto piloto ser validado, seguir-se à sua massificação – estamos a falar de algumas centenas de instalações. Se tudo correr como esperado, o Eco-Cooler poderá revolucionar o sector das pescas.

A inovação está a ser apoiada pelo Fórum Empresarial da Economia do Mar e tem um orçamento global de €580 mil. Veja o episódio 235 do Economia Verde.

Foto:  martinwcox / Creative Commons

ESTUDO LIGA POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA A TAXAS MAIS ALTAS DE SUICÍDIO

Mäyjo, 13.05.15

Estudo liga poluição atmosférica a taxas mais altas de suicídio

A poluição atmosférica poderá implicar taxas mais altas de suicídio, segundo uma pesquisa da Universidade do Utah, coordenada por Amanda Bakian. O estudo avaliou mais de 1.500 suicídios daquela de Salt Lake County e concluiu que, quanto mais elevada é a poluição atmosférica, maiores são as probabilidades de alguém tentar suicidar-se.

Segundo Bakian e os seus colegas, as percentagens de tentar cometer suicídio naquela área subiram 20% nos três dias seguintes a elevados níveis de dióxido de nitrogénio – que é produzido quando os combustíveis fósseis são queimados e após o fertilizante ser aplicado nos campos.

De acordo com o Pacific Standard, o estudo concluiu ainda que os habitantes do Utah têm 5% de maiores probabilidades de se tentarem suicidar depois de respirarem três dias seguidos de ar com elevados níveis de partículas inaláveis.

Este não é o primeiro estudo, porém, que liga a poluição atmosférica às taxas de suicídio – pesquisadores da Coreia do Sul e Taiwan já o tinham feito. Mas é a primeira vez que esta questão é abordada nos Estados Unidos.

O relatório ainda não foi tornado público, mas os investigadores fizeram uma pequena apresentação na American Association of Suicidology, na última sexta-feira. Parece um argumento de um livro de Stephen King, mas, se calhar, deveríamos começar a pensar melhor nestas associações.

Foto:  aguscr / Creative Commons